28 de Maio de 2012

4 anos

Hoje, a nossa menina faz 4 anos. Agradecemos muito a Deus pela sua vida tão preciosa. Que sejas sempre uma menina muito temente ao Senhor, com um coração cheio de amor pelos que te rodeiam e que guardes sempre essa tua alegria contagiante. Amamos-te muito, filha.
(Nails by Daniela Santos :)

24 de Maio de 2012

Brinquedos

Em criança, uma das minhas brincadeiras preferidas (e dos meus irmãos também) era fazer casinhas com os caixotes de papelão que estavam no armazém da sapataria dos meus pais. Os caixotes eram um brinquedo divertidíssimo. Descobri que os caixotes estão novamente na moda, quer por motivos ambientais (reciclagem) - preocupação que não existia na minha infância - quer por razões económicas (tempos de crise). E há quem tenha ideias tão giras! Estas imagens até dão vontade de voltar a brincar...







Conceitos

Sentado à secretária, lendo um texto em voz alta, vou acompanhando a sua esforçada leitura. A certa altura, surge no texto a palavra "ruínas". Pára de ler, vira-se para mim com os olhos a brilhar, e diz:
-"Mamã, sabes o que são ruínas?" - e, antes que eu diga alguma coisa, diz muito depressa: "Ruínas é um castelo que já só tem metade porque já foi usado em muitas batalhas!"
(lol)

23 de Maio de 2012

Não sei como ela consegue


O meu marido disse-me que eu ía gostar de ver este filme e depois de o ver percebi porquê. É uma comédia levezinha acerca da dificuldade (tão comum nos nossos dias) que as mulheres têm em conciliar uma carreira profissional com o papel de mãe e esposa. Acho que todas as mães que trabalham fora de casa acabam por se identificar com algumas cenas deste filme. A mim tocou-me especialmente a parte das viagens (felizmente, não as tenho feito nos últimos tempos). Coisas menos boas do filme: as mulheres que não trabalham fora de casa são retratadas como uma espécie de tótós, que ora estão no ginásio, ora estão a cozinhar bolinhos caseiros para os filhos levarem para a escola (não concordo nada!). Coisas boas do filme: o extremoso e dedicado marido da protagonista e o facto dela não o ter deixado pelo colega de trabalho (boa!).  

21 de Maio de 2012

Decisões

Sempre me fez muita impressão a história do jovem rico (relatada em Marcos 10). Foi ele que teve a iniciativa de ir ter com Jesus. Tratou-o por Bom Mestre – ele conhecia Jesus. Foi ele que perguntou a Jesus o que é que tinha de fazer para herdar a vida eterna. Mais, a Bíblia conta que Jesus, olhando para ele, o amou… arrepiante! Eu imagino a doçura do olhar de Jesus naquele momento!... O jovem ouviu a resposta-convite diretamente da boca de Jesus: só lhe faltava uma coisa... Uma! Tão pouco… Mas, ainda, assim, o jovem decidiu não dar o passo que faltava e não quis arrepender-se do seu pecado. E a frase com que esta história termina, mexe com o meu interior. Diz a Bíblia que aquele jovem, retirou-se triste. Ele sabia que estava a tomar uma má decisão, mas ainda assim virou as costas a Jesus. E a pergunta que fica na minha mente é esta: como é que ele foi capaz?! Ele que olhou Jesus nos olhos! Ele que certamente sentiu o amor de Jesus! Ele que esteve na presença de Jesus! Como? Como é que ele pode deixar qualquer outra coisa que fosse– ainda que riquezas – sobrepor-se à decisão de herdar a vida eterna? Mas, infelizmente, esta é a decisão que muitas pessoas tomaram e continuam a tomar nos dias que correm.

Recordo a história do pai de uma amiga nossa. Ele não era crente, mas um dia ouviu umas pessoas, cheias de problemas, comentarem que estavam a pensar ir à bruxa. Aquele homem, ousadamente, disse-lhes assim: “Porque é que em vez de irem à bruxa, não vão antes à igreja da minha mulher e da minha filha? Lá eles oram a Deus e as coisas acontecem.” Pois bem, aquelas pessoas foram mesmo à igreja e converteram-se. E aquele homem, que sabia o Caminho, e que foi quem levou aquela família a Cristo, preferiu permanecer longe.

Talvez o jovem rico tivesse apenas pensado “adiar” a decisão para quando fosse mais velho. Mas a verdade é que a Bíblia não volta a falar mais nele. Quem somos nós para sabermos quantos dias ainda iremos viver? Que Deus nos dê sabedoria e ousadia para tomarmos decisões, largando todo o embaraço do pecado e mantendo o desapego daquilo que não nos acompanhará quando um dia Deus nos chamar.

18 de Maio de 2012

Peppa e a Rainha de Inglaterra

A nossa filha é fã da Porquinha Peppa (Peppa Pig). Não perde um episódio das aventuras desta família de porquinhos. Recentemente, li neste blogue uma notícia curiosa sobre a Peppa. Vou partilhar: foi anunciado que a rainha Elizabeth II vai aparecer num dos episódios da Porquinha Peppa, já no próximo mês de Junho. A porquinha vai visitar o Palácio de Buckingham e as duas vão pular nas poças de lama, que é a atividade predileta da família da Peppa.

O programa tem por objetivo envolver as crianças nas atividades do Jubileu de Diamante, que marca os 60 anos da rainha no poder. Esta será a primeira vez que uma personagem humana aparece na série de televisão.

A cama de sonho

Mamã, compras-me uma cama destas para o meu quarto?
(Depois de lhe ler a história da Princesa e a Ervilha)

Ilha do Porto

Da última vez que estivemos no Continente, fomos ao Porto. Mas o nosso filho mais velho diz - com muita graça - às pessoas que foi à “Ilha do Porto”. E ele não está a brincar. Para si, e no seu pequeno mundo, tudo são ilhas.

9 de Maio de 2012

1 ano

E, entretanto, o nosso filho mais novo, completou 1 ano de vida. É um amor de bebé, muito bonzinho. Gosta muito de comer e come de tudo, em grandes quantidades. Mesmo só com 4 dentes. Nunca tínhamos tido um filho tão “bom de boca”. Ri-se com os olhos e faz uma covinha no rosto ao sorrir. Ao abraçar-nos, dá-nos uma palmadinha nas costas. Delicioso, o nosso Tomás. Fez anos nas vésperas da nossa viagem para o Continente, por ocasião do casamento do meu irmão. Não tínhamos oportunidade de lhe fazer uma festa, mas os irmãos da igreja prepararam-lhe uma festa surpresa, repleta de balões e um bolo do Noddy. É muito amado por todos nós. Deus te abençoe e te guarde, meu amor.

Mais Festa no Céu

Há aproximadamente um ano que o S. assiste regularmente aos cultos e participa das atividades da igreja, acompanhando a mulher, crente, e a filha. É um bom homem, sempre com um sorriso no rosto, disponível para ajudar, como aconteceu na obra de reparação do telhado da igreja. Há muito tempo que a igreja vinha orando pela sua conversão. Apercebíamo-nos da sua sensibilidade ao Evangelho, mas a decisão por Cristo demorava em acontecer. Mas, pela graça de Deus, o S. entregou a sua vida a Jesus há 15 dias atrás, no culto de domingo, para alegria de toda a igreja, em especial da sua mulher e filha. Em duas semanas, 4 vidas decidiram-se por Cristo nesta pequena ilha. Vivemos tempos de colheita. A Deus toda a honra!

23 de Abril de 2012

Festa no Céu

Os últimos seis meses têm sido especialmente difíceis de viver a 1.700 km de distância da família, devido ao rápido avançar da doença da minha mãe. Na semana passada, tivemos a oportunidade de passar uma semana no Continente, por ocasião do casamento do meu irmão, e foi muito bom poder passar aqueles dias junto dela. A despedida foi naturalmente dolorosa. Regressámos aos Açores, cumprindo o nosso dever de missão, pedindo ao Senhor fortalecimento e ânimo. E o Senhor é muito bom e fiel. No culto de ontem, três vidas entregaram as suas vidas a Jesus, na sequência de um apelo do pastor à Salvação. Um casal e uma jovem que foi mãe há apenas 8 dias. Três vidas que muito amamos e que temos acompanhado e clamado ao Senhor por conversão a Cristo. Uma alegria sem par, muitas lágrimas nos rostos de todos os que estavam presentes naquele abençoado culto. Festa rija a de ontem. Deus seja louvado e engrandecido!

20 de Abril de 2012

Ser forte

Por estes dias, já a iniciar a noite, estava nas urgências com o meu filho mais novo, quando presenciei este episódio. Uma das pessoas que estava à espera de ser atendido era um homem, ainda vestido com a roupa do trabalho - nas costas do seu blusão, lia-se em letras grandes o nome da empresa que faz o transporte de passageiros, por barco, entre as ilhas do Faial e do Pico. De repente, aquele homem recebeu uma chamada no telemóvel. Falou pouco, desligou logo e dirigiu-se apressadamente ao guichet de admissão de doentes. “Vou ter de ir embora, estão a chamar por mim. Tenho de ir fazer uma evacuação de uma pessoa do Pico.” (Nota: a Ilha do Pico não tem hospital, apenas tem 3 centros de saúde, pelo que os casos graves têm de ser evacuados para o hospital do Faial). Enquanto dizia isto, ouve-se a médica a chamá-lo. Correu para a entrada das urgências e disse à médica: “Vou ter de ir embora, tenho de fazer uma evacuação! Tenho de ir já!” E já a caminhar para a rua, muito apressado, disse: “Conte comigo daqui a mais ou menos uma hora!”
Ao ver aquele homem sair a correr das urgências, pronto para ir salvar uma vida, ele que também estava doente, mas cujo sentimento de missão o fez esquecer de si próprio e lhe renovou energias, fiquei a admirar aquela atitude tão nobre. Ao mesmo tempo, lembrei-me também do exemplo de Jesus, que depois de ter recebido a notícia de que o seu primo João Baptista tinha sido assassinado, retirou-se para um lugar isolado, mas foi seguido por uma multidão e, em vez de se concentrar na sua dor e mandar aquelas pessoas embora, sentiu-se comovido por aquelas vidas, tendo curado os que estavam doentes e ainda os alimentou, de forma miraculosa. É assim o coração de Deus. É este coração que desejo ter. Um coração que é forte na fraqueza, pois a sua força vem do Senhor. “Porque quando estou fraco, então é que sou forte”. 2 Coríntios 12:10

16 de Março de 2012

Uma boa notícia

Ontem recebemos uma boa notícia. Cinco meses depois de ter fraturado o cotovelo, o nosso filho foi considerado totalmente recuperado. A fratura está sarada, os movimentos do braço estão recuperados e teve alta para voltar a fazer desporto. Damos muitas graças a Deus por tudo isto. Segundo o ortopedista, há pessoas que fazem a mesma operação que o nosso filho fez e que ficam com o braço arqueado, não o conseguindo esticar completamente. Alegramo-nos por isso não lhe ter acontecido. Uma grande bênção recebida, fruto também da oração de muitos amigos (muito obrigada). Deus é Bom!

12 de Março de 2012

O cúmulo do azar

O cúmulo do azar é ir comprar umas sapatilhas novas para a 1ª aula de ginástica, chegar ao ginásio toda vaidosa com sapatilhas a estrear, entrar na sala de aula e ouvir da professora: “Pode tirar as sapatilhas, a aula é descalça!”

9 de Março de 2012

Mãe

A minha mãe continua muito doente. Temos passado por muitas fases, todas muito fortes do ponto de vista emocional. Há dias mais animadores. Há dias muito difíceis. É complicado escrever sobre este tema. Os médicos não nos dão esperança. Apenas o Senhor nos conforta e dá ânimo a cada dia. Todos os problemas da vida parecem insignificantes e fáceis de resolver quando passamos por uma situação verdadeiramente difícil. Sei que muitos amigos estão a orar pela minha mãe. Agradeço-vos muito (e a minha mãe também pede sempre para agradecer em seu nome). Um abraço com carinho a todos.

7 de Março de 2012

Propósito

O meu filho mais novo nasceu com o canal lacrimal do olho esquerdo obstruído. Por volta dos seus 4 meses de vida, foi encaminhado para uma consulta de oftalmologia, a fim de ser avaliado para uma eventual intervenção cirúrgica. Segundo nos explicaram, se a situação se mantivesse após o seu 1º ano de vida, o bebé teria de ser operado. Ao saber disto, fiquei com o meu coração inquieto. Não conseguia imaginar o meu bebé a levar anestesia e a ser operado. Dizem que é uma intervenção muito simples, mas fazia-me muita confusão pensar nisso. Volta e meia começava a pensar na operação e na anestesia. E o tempo ía passando… e o olhinho dele sempre cheio de água e remelas. No meu coração, pedia a Deus para me preparar interiormente para a eventualidade de ele ter de ser operado. E o Senhor foi-me dando paz. Andava eu focada nisto e, inesperadamente, em Outubro passado, o meu filho mais velho partiu o cotovelo na escola e, em menos de 2 meses, teve de ser operado duas vezes, com anestesia geral. Por outro lado, a obstrução do olho do bebé acabou por desaparecer naturalmente (por volta dos seus 8 meses e meio) e ele está óptimo, com o olhinho limpo. Fico a pensar nisto tudo e chego à conclusão de que há situações na vida que têm mesmo por fim preparar-nos para outras situações que iremos viver. Ao pedir a Deus que me desse paz para a operação do bebé, o meu coração foi preparado para as operações do meu outro filho. Se não tivesse andando a pensar na perspetiva de um filho meu ser operado e se não tivesse pedido ajuda ao Senhor, teria sido muito mais difícil acompanhar a situação do meu filho mais velho. Por isso, como diz na Bíblia, “em tudo dai graças”!

1 de Março de 2012

9

Andava no meu último ano de faculdade. Era absolutamente solteira, vivia dedicada aos estudos. Há muitos anos que era assim. E nem pensava em compromissos. Havia de acontecer um dia, no tempo certo, pensava eu. Naquele dia, estava no casamento de uma amiga da igreja. A certa altura, a noiva decidiu atirar o ramo às meninas solteiras e, por força das circunstâncias, lá fui eu no grupo. Como sou uma pessoa introvertida, nada dada a estas coisas, fiquei assim mais para trás do aglomerado de mulheres, meio a esconder-me. Foi então que a noiva lançou o ramo a toda a velocidade (um ramo enorme, muito bonito) e, enquanto voava pelo ar, um grupo de rapazes gozões, fez em poucos segundos uma pirâmide humana. Lá no topo, o meu irmão, com muita graça, tentava apanhar o ramo. Mas o ramo passou-lhe ao lado, para riso geral, e enquanto eu própria ria às gargalhadas daquela cena toda, de repente - ZÁS - o ramo veio ter-me às mãos. Fiquei envergonhadíssima, já se sabe, cor de pimentão. A pergunta geral que se seguiu foi, naturalmente: “Então e o príncipe, onde está ele?” Eu ía sorrindo, encolhendo os ombros, até que a minha irmã respondeu em minha defesa: “Assim como o ramo lhe veio cair às mãos, o príncipe também lhe há-de vir ter às mãos.” E assim foi. Logo no mês seguinte, comecei a conversar com um amigo crente que conheci quando tinha 15 anos, nos acampamentos de verão da igreja, e com quem havia perdido o contacto. Daqueles tempos ídos, apenas guardávamos a recordação de que eu o achava bonito e ele a mim (o que sabe sempre bem saber). Agora ele já tinha 25 anos, já não tinha o cabelo comprido, e estudava no Seminário Baptista. Conversámos durante nove meses seguidos e construímos uma amizade muito sólida. Orámos também muito, queríamos ter a certeza de que era a vontade de Deus. Finalmente, começámos a namorar e casámos 1 ano e meio depois, num dia de muita chuva. Foi há 9 anos, comemoramos hoje. As flores do ramo da noiva morreram em pouco tempo. Mas o príncipe que me veio ter às mãos, é mais bonito a cada dia que passa. E tem o dom de tornar as vidas dos que o rodeiam também mais bonitas. Hoje é dia de agradecer a Deus pela vida conjunta que nasceu há 9 anos atrás, da qual nasceram depois mais 3 preciosas vidas. Parabéns para nós! *

28 de Fevereiro de 2012

Pormenores

Pela manhã, à porta de casa, enquanto sentamos os nossos filhos no carro, e carregamos as mochilas e malas, para os levar à escola, passa por nós um vizinho, tranquilamente, com um biberão de leite na mão, para uma vitelinha que estava no campo à espera de ser alimentada. “Meninos, olhem o que o vizinho leva na mão, estão a ver? É para uma vaquinha bebé!” Os nossos filhos esticam-se para ver a cena. São pormenores como este que dão um encanto diferente aos nossos dias. São assim os Açores.

Declaração de amor

Enquanto lhe secava o cabelo, a minha filha diz-me assim: “Mamã, tu estás aqui dentro do meu coração!" (e coloca as duas mãozinhas em cima do peito enquanto diz isto).
E continua: “E sabes o que é que tu estás a fazer dentro do meu coração, sabes?” (Pausa) “Estás a fazer papinhas!!”
lol

20 de Fevereiro de 2012

Super Mulheres

Quando estive em casa, após o nascimento do meu filho, aproveitava as alturas em que o alimentava para ver o Dr. House. Vi as séries praticamente todas. Num dos episódios, aconteceu o seguinte com a Dra. Lisa Cuddy:
O despertador tocou ainda de madrugada. Ela desligou-o, levantou-se cheia de energia, e foi fazer um pouco de ginástica matinal (corajosa). Depois tomou um duche, vestiu-se, tomou o pequeno almoço, tudo em contra-relógio. No meio de tudo isto, a filha (pequenina) chorava por ter acordado doente, com febre. Uma confusão. Entretanto, chegou a empregada doméstica que ficou com a menina. Ainda antes de sair de casa, apareceu-lhe o namorado, para uma visita rápida, e ela teve tempo e disposição para isso. Saiu de casa e foi trabalhar. Tudo cenas muito corridas, muito intensas. No trabalho era um dia decisivo. Ía ter uma reunião de negócios importantíssima de que dependia o futuro do hospital que dirige. Foi um episódio tão stressante, tão rápido, corre para aqui, corre para ali, chatices, a filha doente, a secretária sempre a correr atrás dela com recados, etc, que eu estive sempre à espera do momento em que lhe ía dar um colapso. Mas nunca aconteceu. Ela aguentou-se rija o episódio todo, conseguiu sair vitoriosa da reunião de negócios, foi para casa ainda relativamente cedo e passou o resto do dia com a filha e o namorado, super bem-humorada e tranquila, a trocar carinhos.
Ao terminar o episódio, ficamos com a sensação de que aquela mulher é sensacional, uma verdadeira heroína. Mas, se virmos bem, ela fez tudo aquilo porque tinha uma pessoa em casa a limpar, a tratar das roupas, a cozinhar e que ainda cuidava da sua filha. Ela tinha também uma secretária pessoal que lhe organizava a agenda e fazia as tarefas mais aprisionadoras e burocráticas. E, acima de tudo, ela era superelegante, gira, inteligente, com tempo para tudo e mais alguma coisa, porque era a protagonista de uma série de ficção de sucesso. Mas, note-se, apesar de tudo, ela tinha apenas um namorado, não um marido. E o namorado não era o pai da sua pequena filha. Na verdade, nem era o namorado que ela gostava de ter. Poucos episódios depois, esse namoro terminou e logo começou outro, muito tumultuoso, com o House, mas que também vai terminar depois. Mas até isso não deve ser por acaso. É a imagem de uma mulher livre, desprendida, que não se submete à rotina, nem a um homem só. Mas, no fundo, é uma mulher infeliz no amor. E a sua criança vai crescendo sem uma presença paterna. É esta imagem da mulher-heroína que não gosto, não concordo e acho um exagero. Concordo que as mulheres ainda estão a percorrer o caminho da igualdade de género em diversas áreas. Mas é preciso ter atenção aos exageros. Falo por mim - se faço muitas coisas na vida é porque formei equipa com um marido excecional e um pai dedicado. Não existem super-mulheres. Não existem super-homens. Existem boas equipas.